Papa encontra seminaristas do sul da Itália e afirma que o estudo e a disciplina sejam fundamentados na relação com Deus, um período em que, em conjunto, seja aprofundada a experiência com o Senhor: “o tempo do seminário continua sendo necessário, hoje não menos do que ontem. Em um mundo que tem pressa e que vê com desconfiança qualquer pausa prolongada, poderia-se pensar que seja um luxo ou uma instituição ultrapassada, mas não é assim”, “não é um adiamento da missão, não se deve subestimá-lo”.

No encontro desta quinta-feira, 03, com seminaristas provenientes do sul da Itália, o Papa Leão XIV refletiu em discurso a importância de viver a fase do seminário para aprofundar a relação com Deus e “a verdade da vocação”, um período que vem depois do chamado e antes de se colocar em missão. Para isso, usou do Evangelho de São Marcos (Mc 3,13-14) para orientar a reflexão dirigida a um grupo de 150 pessoas na Sala Clementina, no Vaticano, formado por estudantes do Pontifício Seminário Regional Pugliese “Pio XI” da cidade de Molfetta/BA e do Seminário Episcopal de Aversa/CE, junto a formadores e familiares. Duas instituições que, como lembrou o Papa, estão de aniversário em 2026 já que, em Molfetta, comemoram 100 anos da nova sede, e em Aversa, são 300 anos da sede atual.
Leia a íntegra do discurso do Papa Leão XIV
Ao direcionar o discurso para a formação, Leão XIV comentou que o estudo e a disciplina são etapas essenciais do caminho, mas que “só têm valor se estiverem fundamentados na relação com Deus”. E o Papa ilustrou citando a passagem evangélica que narra quando Jesus subiu ao monte, chamou os Doze apóstolos que quis para que ficassem com Ele e seguissem depois em missão:
“Nessas poucas palavras já está tudo. Ao nos determos nessa breve passagem, podemos perceber uma síntese admirável da experiência válida para todo chamado, para todos aqueles que desejam aprofundar a verdade da própria vocação. Há o monte a subir, onde alcançar Cristo e, acima de tudo, onde permanecer junto a Ele. O coração da experiência do seminário está todo aqui: aprender a estar com o Mestre, o Senhor Jesus.”
O chamado: o monte a subir
Deus «chamou para si aqueles que quis», recordou o Papa, o que demonstra “a liberdade de Deus, da qual brota toda vocação. Não há um concurso, não há uma lista de classificação, nem está escrito que escolheu os melhores: escolheu aqueles que queria. Em um mundo que se esforça tanto para celebrar a autorrealização”, continuou Leão, é importante reiterar sobre “a livre escolha da parte de Deus Pai”, que “sussurra ao coração dos jovens”, “em todas as épocas da história e em todos os lugares”.
Depois de ouvir a voz do Senhor, de fato, disse o Pontífice, “é preciso ir ao seu encontro e subir a montanha”. Um caminho que pode ser cansativo, com a subida feita a pé e sem conseguir avistar o topo: “o cansaço da vida espiritual é, porém, sustentado pela beleza da fraternidade e da partilha da missão”.
Em conjunto: a experiência com Deus no monte
Com o nascimento da vocação, continuou o Papa, é preciso, então, “aprender a estar com Ele” em cima, no monte. E “a própria presençade vocês no seminário é um sinal de esperança para toda a Igreja”, antecipou Leão, que também agradeceu, em nome da Igreja, pelo “sim” de todos os dias.
“O tempo do seminário continua sendo necessário, hoje não menos do que ontem. Em um mundo que tem pressa e que vê com desconfiança qualquer pausa prolongada, poderia-se pensar que seja um luxo ou uma instituição ultrapassada, mas não é assim. Justamente porque o nosso tempo é acelerado e barulhento, há necessidade de um lugar e de uma fase da vida em que se aprenda a permanecer, a discernir, a deixar-se formar sem atalhos. O seminário não é um adiamento da missão, mas uma condição para a mesma. Não se deve subestimá-lo.”
No monte, Jesus então reúne os Doze “para que aprendam que a Igreja se vive em conjunto”, afirmou o Papa. Ao citar a sua Carta Apostólica Uma fidelidade que gera futuro, Leão enalteceu a importância de “corresponder à graça da fraternidade”: assim como “nenhum pastor existe sozinho”, nem mesmo um seminarista pode conceber um caminho desligado da Igreja:
“O seminário, portanto, antes mesmo de ser um lugar para adquirir informações, ‘deveria ser uma escola dos afetos’. E a vocês, queridos formadores, peço que sejam os primeiros mestres daquele cuidado e daquela fraternidade que se manifestam em relações autênticas, pessoais e comunitárias, feitas de verdade e de caridade. Não se improvisa ser formador: o ministério de vocês é extremamente delicado, para o qual se prepara com conhecimento, paciência e amor.”
Além dos formadores, o Papa também se dirigiu às famílias dos seminaristas, a quem agradeceu, porque “uma vocação nunca surge sem um contexto adequado e, muitas vezes, precisa de um lar, de pais que rezam e que sabem deixar ir”.
A missão: momento de descer do monte

Resta, então, o último passo, disse o Papa: aquele em que se desce do monte. De fato, depois de ter experimentado Deus, assim como os Doze Apóstolos, os seminaristas são chamados à missão junto “às famílias que lutam para sobreviver, aos jovens que, aos vinte anos, fazem as malas em busca de trabalho, aos idosos solitários, aos marginalizados, àqueles que perderam o sentido da existência”:
“O sacerdote é enviado a todos para que a todos anuncie a beleza da fé em Jesus Cristo, a boa nova da nossa salvação. É a salvação que nos foi concedida por meio de Maria. Confiem nela, como naquela que, por primeiro, fez o que hoje é pedido a vocês. Peçam a Maria a graça de aprender a dizer todos os dias o seu “sim” ao Senhor Jesus.”
Fonte: Vatican News




