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Dom Orlando se despede da Arquidiocese de Aparecida

Em ação de graças pelos quase 10 anos de missão e serviço, Dom Orlando Brandes afirmou: “é o povo que povoa o meu coração”

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A Arquidiocese de Aparecida celebrou, nesta quarta-feira, 29, a Santa Missa em ação de graças pelos quase 10 anos de pastoreio de Dom Orlando Brandes. A celebração eucarística das 9h foi realizada no Santuário Nacional de Aparecida e reuniu o clero arquidiocesano, os missionários redentoristas e os devotos da Mãe Aparecida.

Após completar 80 anos em abril deste ano, Dom Orlando despede-se do governo pastoral da Igreja particular que abrange Aparecida e outros quatro municípios do Vale do Paraíba. A celebração foi animada pelo Coro Arquidiocesano e marcada por homenagens.

Homenagens marcam trajetória episcopal

Na procissão da Palavra, religiosas, leigos e colaboradores levaram placas com imagens que recordaram momentos significativos do episcopado. Entre eles, a Semana Santa celebrada durante a pandemia da Covid-19, o recebimento do título de Oblato Redentorista e o encontro com o Papa Leão XIV. A celebração evidenciou o reconhecimento pelo serviço exercido ao longo da última década.

Homilia destaca missão e gratidão

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Durante a homilia, Dom Orlando dirigiu-se aos padres diocesanos e pediu que se levantassem: “Quero levar essa imagem até o céu, vamos juntos para o céu.”

Aos redentoristas, expressou gratidão: “Eu devo hoje nessa Missa de ação de graças, reconhecer e agradecer.”

Ao refletir sobre as leituras, sublinhou a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja. Citando os Atos dos Apóstolos (At 12,24–13,5a), recordou que a Palavra crescia porque era anunciada e vivida.

E rezou: “Mãe Aparecida, primeira e mais perfeita discípula da Palavra, que cresça em toda a Igreja a palavra, porque sem a Palavra não há missão.”

Dom Orlando também incentivou os leigos: “Vamos agradecer então ao Pai que nos enviou a palavra ‘Jesus’ e assim todos nós leigos e leigas, tenhamos a bíblia na mão, no coração e pé na missão: é a leitura de hoje, não é uma poesia, é um fundamento bíblico.”

Ao recordar sua posse canônica, em 21 de janeiro de 2017, afirmou: “Hoje eu tomo posse canônica dessa arquidiocese, mas vocês tomam posse da minha vida.” E relembrou: “Eu venho aqui como um indigno servo.”

Em outro trecho marcante, disse: “Eu queria ser o jumento do triunfo de Jesus.” E completou: “A maior honra não é ser arcebispo, a maior honra é ser batizado, a maior condecoração é ser filho de Deus.”

Os cinco “Ps” de sua vida espiritual

Dom Orlando apresentou os cinco pilares que sustentam sua espiritualidade: Pai, povo, padre, pobre e pátria celeste. Ao falar que o céu está a nosso favor, destacou: “Não se esqueçam, disso por favor, porque isso muda muito a vida da gente.”

Entre as graças recebidas em Aparecida, afirmou ter sido evangelizado pelos romeiros. Também ressaltou a convivência com o clero e os redentoristas, a experiência mariana e o carinho dos devotos, inclusive os que acompanham pelas transmissões da Rede Aparecida de Comunicação.

“Nunca conversei tanto com Nossa Senhora como aqui, é um costume e agora antes da Missa eu estava lá e Ela me dando bons conselhos… porque essa imagem fala comigo e fala com vocês também, e o que Ela me disse lá: ‘fique tranquilo, eu vou agradecer a Deus por você’. Obrigado, Mãe que educa o filho, obrigado por tanta sensibilidade, obrigado porque com seus conselhos, Mãe do Bom Conselho, eu errei menos e me alegrei muito.”

Ao terminar, falou sobre sua missão episcopal, recordou que ela é para toda a vida.

“Sobre a despedida do cargo, quando um Bispo é ordenado, é dito assim: ‘tu queres ser fiel a missão até o fim da vida?’, então o emérito não se livra da missão, porque a missão é até o fim da vida”.

Reconhecimento do clero e dos fiéis

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O vigário geral, Padre Marcus Vinícius, agradeceu pelo legado deixado: “Vossa presença entre nós sempre será um sinal de fé viva, de cuidado pastoral, de dedicação incansável ao povo de Deus.” E completou que o ministério do arcebispo foi marcado por escuta e testemunho.

A Irmã Marilda Ferreira, presidente do núcleo da CRB em Aparecida, afirmou: “Em nome do núcleo da CRB de Aparecida, nós religiosos temos uma gratidão profunda pelo seu carinho por cada um de nós.” Ela reforçou a continuidade da missão evangelizadora.

A jornalista e apresentadora Letícia Hamacher, da TV Aparecida, destacou a proximidade de Dom Orlando com os devotos e colaboradores da Rede Aparecida de Comunicação e do Santuário Nacional: “A sensibilidade do senhor nos telefonemas do programa ‘Família dos Devotos’ demonstra humildade e o carinho com aqueles que querem uma bênção e uma palavra gentil.”

Pe. Fábio Evaristo, C.Ss.R., administrador ecônomo do Santuário Nacional, também expressou reconhecimento: “Foi Deus que o enviou para estar aqui em Aparecida. Sabemos que, ao longo desses quase 10 anos, teve um carinho especial com os devotos e romeiros que chegam ao Santuário e buscam sempre um encontro com Deus e estar na presença de Nossa Senhora Aparecida, e esse seu amor e carinho para com os devotos tanto nos inspirou e continuará inspirando para realizarmos esse trabalho de acolhimento e evangelização no Santuário.”

FONTE: A12

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