A Doutrina Social da Igreja não oferece soluções prontas, mas indica o caminho: nem desânimo nem atalhos autoritários — um pacto social realista, que inclua a todos

Diante dos muitos problemas e frustrações com que nos deparamos na economia brasileira, frequentemente temos a tendência de pensar “este País não tem jeito!” A sabedoria cristã, contudo, nos ensina a não desanimar. Os processos que acontecem no tempo superam as conjunturas que nos limitam no espaço (cf. Evangelii gaudium, EG 222ss). A Doutrina Social da Igreja não dá soluções para os problemas, mas nos coloca na posição justa para resolvê-los.
Nas palavras de São João Paulo II, “A Igreja não tem modelos a propor. Os modelos reais e eficazes poderão nascer apenas no quadro das diversas situações históricas, graças ao esforço dos responsáveis que enfrentam os problemas concretos em todos os seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais que se entrelaçam mutuamente. A esse empenhamento, a Igreja oferece, como orientação ideal indispensável, a própria doutrina social que reconhece o valor positivo do mercado e da empresa, mas indica ao mesmo tempo a necessidade de que estes sejam orientados para o bem comum” (Centesimus annus, CA 43).
Sob essa orientação, este Caderno Fé e Cidadania buscou encontrar, tanto na Doutrina Social da Igreja quanto na história recente, o que seria uma posição realista, que não cancela os ideais que nascem da caridade e da solidariedade, mas indica os caminhos para atingir esses ideais. Apesar da diversidade de propostas econômicas em debate, esta pesquisa revela alguns elementos aceitos por todos. Vemos que as soluções não estão em saídas autoritárias, ideológicas ou polarizadas, mas em um pacto social amplo, que inclua todos os lados e enfrente o conjunto dos problemas do País com realismo e desejo de construir o bem comum.
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