Entendo que hoje em dia, com tanta ideologia em pauta no currículo escolar, com professores nem sempre bem formados e com tantas dúvidas que pairam no ar da educação em nosso País e no mundo, os pais fiquem inseguros e tenham dificuldades em encontrar uma escola para seus filhos. No entanto, reconheço que a vida do profissional da área de educação está cada vez mais difícil.
Mesmo quando encontram uma escola bem estruturada, comprometida com valores sólidos e, também, na luta contra os movimentos ideológicos que são impostos pelo sistema escolar, há muitíssima resistência por parte dos pais de acolher e fazer ressonância aos alertas que a escola faz em relação ao comportamento das crianças.
Mais do que isso: tomados por um sentimentalismo efusivo, querem que seus pequenos estejam sempre felizes e satisfeitos em todas as situações. Encontram dificuldades em exercer a autoridade em casa e em estabelecer limites claros e firmes aos pequenos e, quando essas crianças sem contorno chegam à escola, no primeiro ambiente social externo no qual conviverão, oferecem ao professor uma série de dificuldades.
Na escola, há tantos “quereres” a serem respeitados, tantos cuidados para chamar a atenção das crianças quando algo de errado acontece, tantas satisfações a serem dadas caso o professor seja mais firme ou exigente, que se cria um círculo vicioso: pais não educam seus filhos para um bom convívio social, doem-se quando a criança é corrigida ou chega a casa triste e reclamando de algo que o professor fez, tomam (via de regra) partido da criança, colocando a escola como rival, e, com isso, engessam a ação dos professores que ficam no limbo entre educar agindo do modo que consideram melhor e agradar aos pais, o que significa ser tolerante com o erro para contentá-los e não perder o aluno.
Que triste círculo vicioso se formou. Famílias que estão lidando com as crianças como se fossem pequenos ditadores, escolas que recebem essas famílias e seus reizinhos e ficam paralisadas, pois destroná-los significa perder a confiança das famílias e, o pior: crianças que em vez de serem formadas e preparadas para a vida, tornam-se pessoas difíceis, inseguras, enfraquecidas, que terão dificuldades enormes diante dos percalços naturais da existência humana.
É urgente quebrarmos esse círculo, é necessário que retomemos um movimento de formação humana para todos: professores, pais e crianças. Sem que os pais entendam a formação moral de seus filhos e se comprometam com ela, os professores terão um trabalho insano. Sem professores bem-preparados para formar também os pais, as crianças não se beneficiarão do processo. Enfim, estamos diante de um dos maiores desafios educativos da humanidade. Precisamos rever o lugar da criança no processo e nos lembrarmos de que ela precisa ser a beneficiada, ou seja, aquela com o direito a receber formação sólida: afetiva, moral e intelectual para enfrentar a vida do modo mais pleno possível.
Por isso, pais, ao escolherem uma escola, o façam com o máximo de cuidado e responsabilidade. Procurem identificar se a instituição tem princípios e valores que são verdadeiramente importantes para sua família e, se encontrarem, confiem na instituição. Isso não significa que não possam questionar posturas ou discordar delas, mas que farão isso como quem ajuda um companheiro do time a aperfeiçoar sua jogada e não como quem está no time oposto. E ainda peço que o façam com extrema humildade, pois, normalmente, os professores têm uma visão de conjunto que falta aos pais. É fácil avaliarmos o que seria a melhor conduta pensando somente em uma criança, mas estamos diante de uma classe com crianças completamente diferentes.
Pais, se tiverem na escola um parceiro, o diálogo aberto e construtivo estabelecer-se-á. Se a tiverem como rival, todos perdem, mas quem mais perde certamente é a criança.




