Sim, cabe ao adulto conduzir a criança. É papel dos pais ajudar o filho na missão de conhecer o mundo, entender como funcionam as relações, saber portar-se nos diferentes ambientes, aprender hábitos sadios, adquirir princípios que os orientem pela vida… ser farol.
É isso: todo serzinho novo que chega ao mundo precisa encontrar nos pais a segurança de um caminho a seguir. Ainda não SÃO, mas, para CHEGAREM A SER, precisam de modelos que se ofereçam com generosidade, amor, fortaleza e compromisso. Coisa de gente crescida, de gente que alcançou um certo grau de maturidade.
Muitos pais hoje em dia ainda não chegaram aí e, no entanto, já estão no lugar de guias, de responsáveis por conduzir os pequenos por um caminho que nem eles mesmos ainda percorreram. Ainda se encontram autocentrados, preocupados com seus prazeres e realizações e nem sempre dispostos ao empenho e ao esforço que formar uma pessoa exige.
Em grande parte dos casos, ouso dizer que nem sequer se conscientizaram do quão grave é ser responsável por outra vida, por uma vida que não se sustenta sozinha, mas que não precisa somente de alguém que a mantenha viva, mas sim de alguém que a ensine a viver, que a ajude a SER.
Digo isso com certa dor e bastante desconforto, mas me convenço cotidianamente de que, infelizmente, por mais boa vontade que muitos tenham, de fato falta a maturidade. Falta compreender que doar-se significa sacrifício, significa renunciar a si, a alguns prazeres e, por vezes, a algumas “crenças” não tão importantes assim, para promover um ambiente saudável, adequado ao crescimento daqueles pelos quais se é responsável.
Quantas crianças estão perdidas por presenciarem disputas dos pais pela razão em assuntos que não precisavam ser discutidos na frente delas, por receberem orientações diferentes sobre o mesmo comportamento, por ouvirem os pais se desrespeitarem em momentos de estresse sem considerar que são ou deveriam ser os adultos da casa…
Tudo isso com muita naturalidade, afinal: “Não é importante que a criança perceba que existem diferenças?”; “Que o papai e a mamãe também brigam?” Agem com impulsividade e querem que as crianças aprendam a se regular; são egocêntricos e esperam que os pequenos aprendam a emprestar; são desrespeitosos e esperam ser respeitados pelos filhos; amam pouco a quem quer que seja, só não a si mesmos. Triste realidade… triste realidade de uma sociedade que esqueceu o sentido do sacrifício, esqueceu que a felicidade está em ter uma vida com propósito, e não uma vida de prazer. De uma sociedade que confunde sucesso com riqueza, com status social e não com uma família bem formada, que se ama, que se ajuda, que é capaz de viver os altos e baixos da vida sem soltar as mãos uns dos outros. Não há amor sem sacrifício e isso parece cada vez mais impossível de ser entendido, afinal, o que se busca é uma vida de facilidades, é aproveitar a vida. E me questiono: aproveitar para quê?
Triste realidade de uma sociedade que se afastou de Deus, que perdeu o verdadeiro sentido da vida.
Ter filhos é uma imensa oportunidade de crescer, amadurecer, se educar. Não a percam para que não os percam. Vale a pena!




