Ovelhas sem pastor

16º Domingo do Tempo Comum – 18 de julho de 2021

O Senhor mandou aos apóstolos, esgotados pela missão: “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai” (Mc 6,31). A oração, o silêncio e a convivência fraterna devem acompanhar o apostolado. Sem se isolar com o Senhor no “deserto”, é impossível conhecer a si mesmo e a Ele. Não pode amar profundamente a Jesus quem não cultiva a intimidade silenciosa com Ele. Além disso, as obras de Deus nascem da oração! 

É preciso aprender a descansar em Deus e com Deus. O sono, a comida e o entretenimento não bastam! Essas coisas são necessárias, mas, se não vêm acompanhadas da vida interior, tendem a ser insaciáveis, a entediar a alma e a nos tornar frívolos. Dedicando ao menos 20 minutos por dia à oração, aprenderemos a colocar nas mãos de Deus nosso cansaço, tristezas e preocupações. O Senhor mesmo nos fará descansar, pois Ele prometeu: “Vinde a mim vós que estais cansados, e eu vos darei repouso” (Mt 11,28). 

Jesus, porém, vendo que uma multidão sedenta ainda os procurava, “teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Ele manifestou a sua misericórdia “começando a lhes ensinar muitas coisas” (Mc 6,34). Afinal, o Senhor dissera: “Meu povo perece por falta de conhecimento” (Os 4,6). Ensinar a verdade é missão irrenunciável da Igreja – “Ai de mim se eu não evangelizar! (1Cor 9,16) – e constitui uma obra de caridade.

Hoje é mais urgente do que nunca “ensinar muitas coisas”: a verdade sobre Deus e o seu plano para os homens; sobre os Mandamentos e a família formada por um homem e uma mulher; sobre o valor da vida humana; sobre os novíssimos – Juízo, Céu, Inferno e Purgatório; sobre a inabitação da Trindade na alma e a vida de oração; sobre a presença real do Senhor na Eucaristia… Enfim, é necessário anunciar a Verdade em Pessoa, Aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). 

Com a secularização e o enfraquecimento das famílias, esses ensinamentos que edificaram a civilização são ignorados e negligenciados. No seu lugar, falsas doutrinas são propostas mundialmente como um “novo evangelho” ou uma “nova moral” sem Deus. O ateísmo, a ideologia de gênero, a idolatria do prazer sexual, o abortismo e o globalismo são exemplos disso… Essas ideologias invadiram repentinamente escolas, campanhas publicitárias e os discursos de “famosos” nos últimos anos. Têm em comum o fato de serem financiadas por grupos bilionários mundiais e de conterem uma visão materialista da realidade, que exclui Deus e a lei natural. Elas pretendem “pastorear” a humanidade, impondo a todas as consciências os seus princípios falsos. Contudo, apenas servem para desorientar, entristecer e abater o rebanho; basta ver seus maus frutos. 

A confusão é grande, mas Deus vencerá! A nós competem três coisas: oração, reparação e formação! Firmes na fé apostólica, poderemos “ensinar muitas coisas” à multidão faminta. Não fujamos desta responsabilidade, por caridade! Aliás: “Quem ensinar a justiça a muitos brilhará como estrelas para sempre” (Dn 12,3). 

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