Burkina Faso: após massacre, escolas católicas acolhem refugiados

Deslocados fogem da violência dos terroristas islâmicos que massacraram mais de uma centena de pessoas e encontram acolhida e apoio em instituições de ensino católicas para reorganizar a vida

Burkina Faso: após massacre, escolas católicas acolhem refugiados
Crianças de Burkina Faso em Bourzanga durante uma atividade educacional (foto: Comissão Episcopal para o Cuidado Pastoral e Refugiados de Burkina Faso)

O ataque terrorista ocorrido no nordeste de Burkina Faso duas semanas atrás, na aldeia de Solhan, causou a morte de 138 homens, mulheres e crianças e deixou mais de 40 feridos. Isso fez aumentar para mais de 3.300 o número de pessoas forçadas a abandonar suas casas para chegar a vilarejos mais seguros no sul do país.

A ONG das escolas lassalistas chamada “Associação dos Irmãos das Escolas Cristãs”, criada no país há três anos, continua a apoiá-las e a acolher os estudantes refugiados em suas escolas.

Acolhida

O Irmão Julien Diarra, 51, burquinês, Visitador-Provincial do distrito da África Ocidental (que também inclui Níger) dos Irmãos das Escolas Cristãs, relatou ao Vatican News como está a situação no país. Segundo ele, há planos para construir novas salas de aula, “a fim de aumentar a capacidade de nossas escolas situadas em áreas com problemas de segurança”, porém, para isso, é necessária a generosidade dos benfeitores.

Ele também forneceu detalhes da situação depois do ataque dos jihadistas ligados à Al Qaeda e ao Estado islâmico.

“Burkina Faso é um país multirreligioso e multiétnico, outrora conhecido por sua coesão social, sua lendária hospitalidade e seus habitantes alegres. Muitos casais burquineses são inter-religiosos e interétnicos, ou seja, a população sempre viveu em tolerância e paz. Desde 2015, porém, nosso país sofre repetidos ataques terroristas, causando muitas vítimas civis e militares, deslocamento maciço de populações, fechamento de escolas e centros de saúde, assim como estruturas administrativas. A tragédia de Solhan é o ataque mais sangrento que o país já viu”, afirmou.

Histórico de pesar

Ao longo dos anos, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), os ataques terroristas causaram uma crise humanitária sem precedentes no país, com uma estimativa de mais de 1,2 milhão de deslocados internos.

Outra consequência do terrorismo foi o fechamento de 2.227 escolas, privando mais de 300 mil crianças de ter acesso à educação. Na área da Saúde, 321 centros de saúde deixaram de oferecer atendimento, prejudicando a vida de mais de 800 mil pessoas. Além disso, o trauma dos sobreviventes e o clima negativo generalizado interferem no dia a dia da população, somados ao fato de que quase todas as regiões de Burkina Faso foram colocadas na “lista negra” por governos estrangeiros, que desaconselham fortemente as visitas ao país.

Ajuda

Nos últimos três anos, a ONG “Associação de Irmãos das Escolas Cristãs” tem apoiado tanto as pessoas deslocadas internamente quanto as famílias anfitriãs, fornecendo-lhes assistência psicológica, alimentos, produtos de higiene, materiais para dormir, bolsas de estudo para crianças e bolsas de formação para jovens e mulheres.

Essa assistência humanitária somente é possível graças à generosidade de parceiros e benfeitores da rede “Lasallian International”, por meio da qual é possível continuar a oferecer às crianças e aos jovens burquinenses uma educação de qualidade.

(Com informações de Vatican News)

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