Este é o tema tratado pelo Papa Leão XIV na mensagem para o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a ser celebrado no domingo, 26

“Suba ao céu a nossa oração, desde as famílias, das paróquias, das comunidades religiosas, das enfermarias, dos lábios de crianças inocentes, para que aumentem as vocações ao sacerdócio e para que sejam segundo os anseios do coração de Cristo”. Assim exortou São Paulo VI, em 11 de abril de 1964, na radiomensagem com a qual instituiu o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
Desde então, sempre no 4º Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, os católicos unem-se em oração pelas vocações na Igreja, sempre à luz de uma mensagem escrita pelo Papa. Para este 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, em 26 de abril, Leão XIV escolheu como tema “A descoberta interior do dom de Deus”, destacando, nos parágrafos iniciais, a dimensão interior da vocação como “descoberta do dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós”.
TORNAR-SE BELOS COMO O BOM PASTOR
Leão XIV cita o Evangelho segundo João (Jo 10,11) para lembrar que Jesus é “um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando, assim, o amor de Deus. É o Pastor que deslumbra: quem olha para Ele descobre que, seguindo-o, a vida é realmente bela”.
Conhecer esta beleza de Cristo, porém, requer do fiel a contemplação e a interioridade, pois somente “quem se detém, escuta, reza e acolhe o seu olhar” pode Nele confiar e entender que a vida pode ser bela: “E o mais extraordinário é que, ao nos tornarmos seus discípulos, tornamo-nos também ‘belos’: a Sua beleza nos transfigura”.
UM PROJETO DE AMOR E FELICIDADE

Após recordar que Santo Agostinho cuidava de sua interioridade como espaço de relação com Jesus, Leão XIV explica que essa relação “se constrói na oração e no silêncio e, se cultivada, abre-nos à possibilidade de acolher e viver o dom da vocação”, o qual jamais é imposto ou preestabelecido, mas sim “um projeto de amor e felicidade”.
Nesse sentido, o Pontífice indica que “é a partir do cuidado da interioridade que se deve urgentemente recomeçar na pastoral vocacional e no compromisso sempre novo da evangelização”.
Ele convida as famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos “a empenharem-se cada vez mais em criar ambientes favoráveis para que este dom possa ser acolhido, alimentado, protegido e acompanhado, a fim de dar fruto abundante”.
Leão XIV lembra ainda que somente se os ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, é que “o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo”.
CONHECER A SI E AO PRÓXIMO
O Papa assegura que o Senhor da vida pensou para cada pessoa um caminho único de santidade e serviço, mas que para alcançá-lo é preciso tanto conhecer a Deus – “por meio da oração, da escuta da Palavra, dos sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs” – quanto criar espaços de silêncio interior “para intuir o que o Senhor deseja para a nossa felicidade”, no sentido de que “a vocação é um diálogo íntimo com Ele que, apesar do ruído por vezes ensurdecedor do mundo, nos chama, convidando-nos a responder com verdadeira alegria e generosidade”.
JOVENS, ‘ESCUTAI A VOZ DO SENHOR’

O Pontífice faz ainda uma exortação diretamente aos jovens: “Escutai a voz do Senhor que vos convida a viver uma vida plena, realizada, fazendo frutificar os próprios talentos (cf. Mt 25,14-30) e pregando as próprias limitações e fraquezas na gloriosa Cruz de Cristo”. Recomenda-lhes também que sejam frequentes na adoração eucarística, na meditação da Palavra e na participação ativa e plena na vida sacramental e eclesial, pois, assim, “conhecereis o Senhor e na intimidade própria da amizade, descobrireis como doar-vos no caminho do Matrimônio ou do sacerdócio, ou do diaconato permanente, ou na vida consagrada, religiosa ou secular: cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria”.
CONFIAR NA PROVIDÊNCIA DIVINA
Leão XIV lembra que a confiança no Senhor é essencial tanto na acolhida à vocação quanto para que nela se persevere. Ele recorda São José, que confiou no sonho divino para acolher a gravidez de Maria e o Menino Jesus, sendo assim “um ícone de confiança total no desígnio de Deus: confia mesmo quando tudo à sua volta parece ser trevas e negatividade, quando as coisas parecem ir na direção oposta à prevista”.
O Pontífice, ao citar o Jubileu da Esperança, ressalta que o Senhor “não nos abandona nas horas mais sombrias, mas vem dissipar com a sua luz todas as nossas trevas. E é precisamente graças à luz e à força do seu Espírito que, mesmo por meio de provações e crises, podemos ver a nossa vocação amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza Daquele que nos chamou, uma beleza feita de fidelidade e confiança, apesar de nossas feridas e quedas”.
UM PROCESSO DE AMADURECIMENTO

Na parte final da mensagem, Leão XIV reflete que a vocação é “um processo dinâmico de amadurecimento, favorecido pela intimidade com o Senhor: estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido significa crescer na vocação”.
A vocação, portanto, não é algo imediato, mas sim um caminho “que se desenvolve de forma análoga à vida humana, em que o dom recebido, além de ser guardado, deve alimentar-se de uma relação cotidiana com Deus para poder crescer e dar fruto”.
Por fim, o Papa a todos encoraja a cultivar a relação pessoal com Deus por meio da oração diária e da meditação da Palavra: “Parai, escutai, confiai: deste modo, o dom da vossa vocação amadurecerá, far-vos-á felizes e dará abundantes frutos para a Igreja e para o mundo”.
VOCACIONADOS EM REALIDADES DE CONFLITO
Embora, às vezes, sintamos um profundo cansaço, uma grande pobreza interior e um certo medo do futuro, como se nossas almas estivessem sendo testadas tanto quanto nossos corpos, reconhecemos que nosso papel é estar presente: Deus não nos abandona, mesmo quando tudo parece sombrio. (Padre Elie Gemayel, da Diocese maronita de Baalbek–Deir el-Ahmar, no Líbano, em entrevista ao Vatican News)
É para mim fonte de alegria e esperança, o compromisso de todos da Igreja em Guiné pela paz. Em um país marcado por guerras e diversos golpes de Estado, toda a Igreja é consciente deste dom precioso e trabalha para conservá-lo… Para responder à necessidade de semear a paz e a esperança, bispos, sacerdotes, religiosos e todos os cristãos se comprometem a cada dia a promover a comunhão, o diálogo entre as pessoas e as comunidades e a amizade entre todos. (Irmã Suzanne Djebba, vigária do conselho geral das Irmãs Missionárias da Imaculada, durante o Congresso Missionário Internacional de 2025)
A guerra é uma provação, que vai além da resistência física ao frio e a outros desafios; é uma provação da nossa relação íntima com Deus… neste ‘deserto’, experimentamos a providência de Deus. Todos os dias, agradecemos a Deus por aqueles que nos defendem, por cada noite que passamos e por termos sobrevivido aos bombardeios. (Dom Vitaly Kryvytskyi, bispo da diocese latina de Kiev-Zhytomyr, na Ucrânia, em entrevista às mídias do Vaticano)




