Idealizador da União Europeia avança no caminho da santidade

Político luxemburguês cujo empenho foi determinante para a criação da aliança cooperativa entre as nações do Velho Continente é considerado ‘Servo de Deus’ pelo Vaticano

foto: Vatican Media

No sábado, 19, o Papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas de Robert Schuman, político nascido em 1886 em Luxemburgo e radicado na França, considerado um dos fundadores do bloco político-econômico europeu.   

A decisão do Pontífice significa que Schuman pode ser chamado de “venerável” pelos fiéis católicos, uma das várias etapas de um processo geralmente longo que pode resultar em santidade.

Schuman foi educado nos valores cristãos que impregnaram sua vida política e inspiraram os princípios fundadores da integração dos países europeus, que começou depois da Segunda Guerra Mundial e culminou com a criação da União Europeia.

RECONHECIMENTO

A nota biográfica distribuída pela Congregação para as Causas dos Santos afirma que o Servo de Deus Robert Schuman “viveu a virtude da fé como uma dimensão totalizante. Tomou a decisão de se dedicar à política como um ato de obediência à vontade de Deus”. O documento enfatizou que “a fé alimentou e sustentou o seu empenho em trabalhar por uma Europa unida e reconciliada. Sua participação diária na Eucaristia foi recolhida e silenciosa, suscitando deslumbramento e admiração em quem o encontrou”.

Testemunha de ambas as guerras mundiais, Robert Schuman trabalhou pela concórdia nos territórios disputados da Alsácia e Lorena. O político foi preso pela Gestapo, polícia política da Alemanha nazista, de setembro de 1940 a abril de 1941.

VIDA ASCÉTICA

Embora Robert Schuman tenha sido ministro da economia, das relações exteriores, da justiça e primeiro-ministro do governo francês, nos períodos de maior compromisso político “visitava com regularidade o Santíssimo Sacramento” e “frequentava assiduamente o sacramento da reconciliação”. Era um “homem de oração pessoal e litúrgica”, que “celebrava regularmente a liturgia das horas”.

Também era “assíduo e fiel à meditação diária das Escrituras, bem como à oração do Rosário. Um aspecto singular e característico da espiritualidade de Schuman era o seu amor pelas grandes abadias, onde procurava refugiar-se para passar períodos de meditação e oração”.

LEIGO ENGAJADO

Como político, Robert Schuman era um “homem de governo ao serviço de um Estado laico”, que “respeitava plenamente a laicidade do Estado”, mas que “nunca aceitou agir contra sua consciência, formada na obediência aos mandamentos de Deus e à lei da Igreja”.

Durante os seus estudos na faculdade de Direito, “inscreveu-se na associação estudantil Unitas, composta por estudantes católicos e fundada nos princípios da virtus, scientia et amicitia (virtude, ciência e amizade).

Em Metz, em 1912, deu seus primeiros passos como advogado. O então bispo da diocese, Dom Benzler, confiou-lhe o cargo de presidente da Federação Diocesana das Associações Juvenis Católicas. Naqueles anos, dedicou-se também ao apostolado pela infância abandonada e sujeita à delinquência.

Foi o responsável pela organização do 60º Katholikentag, o Congresso Católico Alemão, celebrado em Metz, em 1913.

IMPULSO AGREGADOR

Robert Schuman sempre teve uma forte vocação europeísta, sobretudo após vivenciar as terríveis consequências da Primeira Guerra Mundial. Seu sonho era a Europa unida, em que a solidariedade e a promoção da paz entre os diversos povos, fundados sobre laços comuns, fossem os pilares do projeto.

Movido por esse ideal, em 1919 iniciou a sua carreira política, que assumiu como missão e com compromisso apostólico. Foi eleito deputado por Marselha e dedicou-se à integração legislativa das regiões da Alsácia e da Lorena na estrutura nacional francesa. Trabalhou arduamente na defesa da concordata com a Santa Sé e na defesa da justiça social.

ANSEIO PELA UNIÃO

Na sua carreira política, esforçou-se por promover um sistema comum de crescimento econômico e social que respondesse às necessidades de uma Europa devastada pelas guerras mundiais. 

Em 9 de maio de 1950, Schuman fez um discurso lançando a cooperação entre as nações europeias para ajudar a convergir seus interesses econômicos. Tal cooperação, especialmente envolvendo a França e a Alemanha, argumentou ele, tornaria outra guerra no continente impensável e impossível.

Schuman se uniu ao chanceler alemão Konrad Adenauer, ao ex-presidente italiano Alcide De Gasperi e a Jean Monnet, presidente da primeira das comunidades europeias, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, na elaboração do Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Econômica Europeia. 

LEGADO

O tratado foi assinado em 25 de março de 1957, na Colina Capitolina, por França, Alemanha Ocidental, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Por esse motivo, Schuman, Adenauer, De Gasperi e Monnet são considerados os quatro fundadores da União Europeia.

Em 19 de março de 1958, Schuman foi eleito o primeiro presidente do Parlamento Europeu, recentemente constituído.

Vítima de esclerose cerebral grave desde 1959, faleceu em Scy-Chazelles, na França, em 4 de setembro de 1963, aos 77 anos. 

No ano passado, ao comemorar o 70º aniversário de seu discurso, que ficou conhecido como Declaração de Schuman, Francisco elogiou o legado do estadista, dizendo que daí em diante veio “um longo período de estabilidade e paz, do qual nos beneficiamos hoje”.

Fontes: ACI Digital e Crux Now

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